Sabedoria e Compaixão

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Diariamente um estudante d’UCEM se vê exposto a situações que põem à prova todo o possível aprendizado já realizado, seja durante o período de estudo do Curso na presente encarnação seja no decorrer das inúmeras encarnações sucessivas (acreditamos que todo entendimento ou realização obtidos em uma vida serão transmitidos para a vida seguinte).

Basta ver a quantidade de irmãos em humanidade que se utilizam de argumentos falaciosos de “liberdade de expressão” para proferir discursos de ódio e intolerância, julgando e condenando o semelhante, submetendo-o a humilhações, violência e todo tipo de opressão mais ou menos sutil, mais ou menos literal.

Em nossa compreensão, há três caminhos (em termos de consciência) que uma pessoa possa tomar em tais circunstâncias:

  • a pessoa pode esconder-se por trás da noção (verdadeira, em última análise, mas não estamos ainda na última análise) de que não existem seres sencientes a serem salvos, pois a simples ideia de um ser senciente separado do todo é justamente o “Sonho” de que almejamos despertar;
  • a pessoa pode desistir do seu “caminho,” ante a ideia de que seja impossível ignorar o alcance e a influência que essa violência toda tem na vida das pessoas;
  • a pessoa pode aceitar a ideia de que a sabedoria diz que não há nada a ser feito porque já está tudo pronto; porém a compaixão diz que há muito a se fazer pelos outros seres que precisam de muitas coisas, a começar por, justamente, um olhar compassivo sobre seus supostos erros.

É justamente sobre este último aspecto que gostaria de escrever algumas palavras, sobre a diferença entre o aspecto absoluto (o que experimentamos agora é só um sonho, e não há nada que realmente precise ser feito) e o aspecto relativo, que deixa claro que há muito trabalho a ser feito.

Devemos ter a responsabilidade de não empurrar goela abaixo das pessoas uma consciência que julguemos que elas precisem, sem elas pedirem (ver Formas Sutis de Abuso de Confiança neste blog). Mas principalmente devemos ter a noção de que não temos como tirar ninguém do pântano enquanto nós mesmos não estivermos conscientes de o quanto estamos atolados em nossa própria obscuridade, em nossa própria maldade, em nossa dor, em nossos traumas.

Quando nos deparamos com um espelho de que não gostamos (por exemplo: pessoas machistas ou extremistas religiosas), em vez de nos ressentirmos e ficarmos na raiva do que nos incomoda, deveríamos era sentir gratidão pelo fato de o outro nos estar mostrando nossa própria sombra refletida na dele.

É importante estarmos conscientes de que nosso maior defeito é nossa maior oportunidade de transformação.

Afinal, todo mal que percebo sou eu quem crio.