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Resenha de Livro:#Como Conversar com um#Fascista

Comecei a ler um livro: Como Conversar com um Fascista, de Márcia Tiburi (o link leva direto para a página que permite "dar uma olhada" na qual boa parte do livro pode ser lida de graça).

A motivação para ler o livro foi dupla: a indicação de um amigo do tempo de adolescente associada ao fato de que a cada dia vejo mais e mais pessoas com atitudes fascistas, embora elas próprias não admitam isso --- o que já é previsto na apresentação do livro, antes mesmo do prefácio.

Na verdade não sei o que eu esperava de um livro com esse título. Talvez técnicas mirabolantes para desmascarar a mentira nos fascistas, e dar uma lição neles ao expor o seu ridículo; ou quem sabe métodos práticos de persuasão, capazes de fazer com que o mais empedernido apreciador do controle pela força amolecesse o coração e passasse a entender da maneira certa (a minha, claro) a importância da democracia e por que ela é o único regime político aceitável.

É claro que isso tudo era só a identificação com o ego, esquecido que eu estava de que não há separação, que fascistas ou não somos todos irmãos.

Então comecei a ler o livro. A apresentação primorosa, explicando as origens do fascismo, e suas características gerais, ainda alimentava a expectativa egoica inicial. O prefácio, escrito por Jean Willys, também teve um pouco deste efeito.

Mas aí eu comecei a ler o livro propriamente dito, as palavras da autora, e então fui lembrado de que sou um estudante d'UCEM porque a filósofa Márcia Tiburi explica que os adeptos do regime do ódio e da autoridade pela força expressam ódio porque foi só o que eles aprenderam; e que a única maneira de conversar com fascistas e com amor.

Eu poderia parar de ler ali mesmo, mas é para mim é um prazer ler textos bem redigidos, inteligentes e profundos, mas acessíveis a qualquer intelecto bem intencionado. Então vou ler o livro até o último ponto.