Os atrasados do ENEM e o deleite do ego

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Anualmente o Brasil presencia egressos do ensino médio do país inteiro prestarem as provas do ENEM — Exame Nacional do Ensino Médio — e todo ano podemos ver a repetição das cenas de pessoas que não conseguiram chegar ao local das provas a tempo, e acabaram sendo desclassificadas.

Aliás, não é exclusividade do ENEM este tipo de acontecimento: os vestibulares das universidades públicas também ficam repletos de casos semelhantes.

Em consequência das desclassificações devidas aos atrasos todo ano também somos “obrigados” a presenciar o show de crueldade e de ataques que sofrem os atrasados. São sempre coisas do tipo: “para o show do Justin Bieber chegam com uma semana de antecipação, para o ENEM não conseguem estar às 13h no local da prova”.

Toda generalização é perigosa, mas o ego se deleita com uma oportunidade destas. Em vez de demonstrar um mínimo de solidariedade e de alteridade (a tentativa, pelo menos, de colocar-se no lugar do outro) as pessoas saem indistintamente metralhando acusações e comparações crueis contra o semelhante.

Poderia até ser assustador, não soubéssemos que o ego está, mesmo, em modo de ataque 100% do tempo.

Mas, confesso, nem sempre me é fácil de permanecer nessa consciência.