Menu

O ódio é mera consequência do#medo

No início do ano passei por uma experiência deveras interessante: fiz uma viagem de avião praticamente o tempo inteiro ao lado de uma das pessoas que mais me causam ojeriza social. Com o objetivo de preservar-me quanto a processos injustos no futuro vou suprimir o nome do deputado pastor em questão, mas tal informação de maneira alguma fará falta para a compreensão do que quero dizer.

Quando cheguei ao quiosque eletrônico da companhia aérea para fazer o checkin a referida pessoa estava já ao meu lado, o que me fez rezar para que ficássemos cada um em uma extremidade da aeronave. Ao embarcar não demorei a saber que minhas preces não seriam atendidas, haja vista o cidadão ocupar o assento ao lado do meu. Ao sair do avião tomamos o transporte final, o "onibuzinho" do aeroporto, que nos conduziu à saída (no caso dele, eu ainda faria mais um voo no mesmo dia), e mais uma vez eu fiquei longos minutos a poucos centímetros de distância do religioso parlamentar.

Embora a tentação de fazer uma selfie para depois legendá-la com alguma coisa engraçadinha e bastante ferina sobre sua chapinha ou coisa assim, achei melhor apenas observar a linguagem corporal do meu famigerado irmão em humanidade, e foi quando constatei o óbvio que dá título a este texto: toda a arrogância, a empáfia, a prepotência, todo o discurso de ódio e de menosprezo ao "diferente", tudo isso é apenas o medo extremo e assustador em que vive a alma da pessoa condensando-se em ódio gelado e cortante.

Ele parecia um passarinho caído do ninho, sem saber onde está sua mãe, sem saber como voltar para casa, num universo cheio de perigos e predadores famintos por toda parte.

Para além da constação empírica do óbvio ululante tirei de positivo desta experiência a compreensão (da qual me perco o tempo quase todo) de que todo o discurso de ódio que vejo fora de mim e no qual não me reconheço mais é expressão do medo em que as pessoas estão mergulhadas, cegas pela insconsciência.