O medo como ferramenta de manipulação

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O medo é uma emoção fundamental para a manutenção do ego, tanto quanto a culpa.

Embora eu não me permita tanto assim, uma das atividades de lazer que mais me agradam é ir ao cinema. É uma das representações mundanas mais fieis ao mecanismo de sonho e projeção em que vivemos, do qual a maioria das pessoas ainda não se deu conta, e que é muito bem explicado e desconstruído no UCEM e nos livros de Gary Renard, sobre os quais já falei antes.

Hoje fui com um amigo ver “Jogos Vorazes — Em Chamas”. Embora eu não seja tão apreciador desta nova literatura juvenil e não tenha muito conhecimento da mitologia do filme (como teria um leitor dos livros), creio que pude aproveitar o essencial dele, que se não é a obra em si, pelo menos uma cena em especial: o Presidente Snow e Plutarch Heavensbee articulam os próximos passos para conter a rebelião prestes a estourar, e os métodos de contenção variam de opressão e violência pura e simples à mentira descarada, sendo que o objetivo, o tempo todo, é semear o medo e a incerteza (além da discórdia) entre os populares.

Na volta para casa comentei sobre esse assunto com meu amigo (que não é estudante do UCEM, vale mencionar), e ele concordou comigo que a história da humanidade tem sido marcada por governos que usam e abusam do medo como ferramenta de poder. Comentei que, do ponto de vista do mundo, o medo é o que move a evolução, pois é por causa do medo e da incerteza que o ser humano cria, inventa e inova.

— Então — disse-me ele — é correto afirmar que o medo é necessário para o ser humano!

Limitei-me a responder que o medo só é útil ao ego e a seus propósitos, pois o homem nem imagina a felicidade que é ser realmente livre, afinal o homem prefere um mal conhecido do que um bem por conhecer.