Gratidão

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A Lição 195 de Um Curso em Milagres tem o título “O Amor é o caminho que sigo com gratidão”, e logo no começo diz o seguinte:

A tua gratidão só é devida Àquele Que fez com que todas as causas de pesar desaparecessem através de todo mundo.

E em seguida:

É insano oferecer agradecimentos pelo sofrimento. Mas é igualmente insano deixar de ser grato Àquele que te oferece os meios certos pelos quais toda a dor é curada e o sofrimento é substituído pelo riso e pela felicidade.

De fato, para quem está identificado com o jeito de o ego perceber a vida, parece que seja injusto não ser grato pelas situações felizes, pelas pessoas compreensivas e encorajadoras, etc.

Mas o Curso tampouco fala para o ego, de modos que nem faria sentido falar em gratidão para o que não fosse pela oportunidade constante de perdoar.

O Curso nos ensina que não somos corpos, mas sim que somos um com o Pai, e com cada um de nossos irmãos; é por isso que somos verdadeiramente gratos. O ego, com quem nos identificamos enquanto corpos, fica “agradecido” quando suas necessidades de especialistmo são atentidas, e quando ele obtém o que quer.

Quando cometemos o erro de nos acreditar corpos separados de nossa Identidade, um senso profundo de vazio e de necessidade é inevitável. Somos então compelidos a buscar o preenchimento desta sensação de vazio com relacionamentos, coisas e experiências. Se encontramos, ficamos “gratos”, porque estas coisas parecem atender nossas necessidades, ou atendem uma expectativa de como achamos que as coisas devem ser.

Estas expectativas e necessidades vêm da escolha de ouvir ao ego e acreditar no corpo. O erro é acreditar que alguma coisa ou alguém externo à mente vai curar o sentimento de perda e o vazio oriundos da crença no corpo. A busca dessas soluções externas não tem fim porque elas não atendem nossa real necessidade, que é aceitar a realidade pela qual o Espírito Santo nos guia.

Em hipótese alguma isso quer dizer que não devamos aproveitar as coisas que valorizamos no sonho, nem buscar as coisas que achamos que precisamos. Elas são relacionamentos especiais que o Curso nos diz que podem ser transformadas pelo Espírito Santo através do perdão.

O perdão retira dos relacionamentos especiais o poder de nos tirar a paz ou de nos fazer feliz. Aí então somos gratos a nós mesmos por não perceber ninguém nem nada fora de nossa mente como tendo este poder.

Três níveis de gratidão

Podemos dizer que, fora da percepção do ego, a gratidão tem três níveis ou aspectos:

  1. a Deus por partilhar tudo de Si conosco em nossa criação;
  2. a Jesus que se apresenta como nosso irmão ajudando-nos a lembrar de Deus;
  3. por todas as circunstâncias e pessoas em nossas vidas, porque são o laboratório onde aprendemos a despertar do nosso sonho de medo.

Se formos bem honestos conosco mesmos vamos reconhecer em nosso interior uma enorme resistência a esses níveis de gratidão. O que é natural, considerando o sistema de pensamento do qual emana nossa existência individualizada: o ego basicamente disse a Deus: “Quem precisa de Ti? Eu vou me virar, vai vendo!”

Esta atitude está sub-reptícia nas mentes de todo mundo, e conquanto nós valorizemos nossa independência, encontraremos bem poucas justificativas para ser agradecidos a Deus por nos haver criado (reiterando que “nós” não se refere ao nosso corpo, já que não somos corpos). O mesmo vale para nosso relacionamento com Jesus, já que ele simboliza o Amor de Deus por nós.

Sermos gratos conflitaria com nossa necessidade inconsciente de provar que podemos alguma coisa na vida graças a nós mesmos. Até podemos precisar de ajuda de outros aqui e ali, mas o ideal cultivado é de autossuficiência e independência.

Gratidão pela oportunidade de perdão

Assim como o perdão é a correção para a falta de perdão que sentimos, a gratidão também é uma correção. Ela corrige a ingratidão que sentimos nos três níveis acima expostos. E quando a ingratidão é corrigida, a necessidade de gratidão desaparece.

Isso não tem nada a ver com Deus ou Jesus precisarem de nossa gratidão. É apenas uma outra dimensão do processo de desfazer o sistema de pensamento do ego em nossas mentes.

Se a ingratidão é um dos pilares do ego (junto com ataque, medo e culpa, por exemplo), então o amor deve surgir quando desfizermos a ingratidão e nos permitirmos sentirmo-nos gratos ao outro, a Jesus e a Deus, porque o amor apenas tem estado oculto por detrás da ingratidão, que é como um véu: quando este se desfaz, o Amor de Deus pode ser experienciado.

Enfim, um estudante d’UCEM sente-se grato aos seus espelhos por permitirem reconhecer oportunidades de perdão, porque sabe que a prática deste é que vai desfazer as ilusões de medo e culpa que impedem que o Amor de Jesus e de Deus se manifeste em cada um.