Formas sutis de abuso de confiança

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Quem se propõe a fazer “o caminho” (seja lá o que signifique isso para cada pessoa) em algum momento vai ter de encarar a sombra de sua própria alma, trazendo à tona a lembrança de abusos sofridos ou cometidos no passado, para que estas se convertam em consciência da propensão que todos temos de cometer abusos e violências contra os irmãos em humanidade.

Não raro estes “caminhantes” acabam desenvolvendo uma personalidade calma, tranquila, pacífica, cheia de compaixão pelo semelhante, ou por toda forma de vida. E isto, claro, é muito bom. Como diz a Mestra do meu Mestre (por consequência minha Mestra também): é melhor ser assim do que agredir o vizinho.

Não obstante as formas explícitas de agressão que o mundo apresenta o tempo inteiro, faz-se mister estar atento a formas extremamente sutis de abuso, muitas cobertas nos conceitos da Comunicação Não Violenta.

Um “caminhante” menos atento pode facilmente ceder à tentação (muito bem intencionada, mas são as boas intenções que pavimentam a estrada para o inferno) de tentar “guindar” o outro a um nível de consciência para o qual a pessoa não está preparada, ou que ela simplesmente não quer atingir.

É claro que é compreensível que queiramos que nossos entes queridos, ou qualquer outro irmão em humanidade (afinal, nós achamos que já amamos todo mundo incondicionalmente) possam compartilhar conosco da alegria de conhecer a luz que nós mesmos já tivemos o privilégio de conhecer. Não é uma motivação egoísta que nos faz dizer ao outro coisas que ele não pediu para ouvir, e que possivelmente não entenda.

Pelo menos, é assim que a mente justifica o ato de abusar da inocência alheia impingindo-lhe uma consciência que não tenha sido pedida.

Vale meditar se o que realmente queremos é levar a luz ao outro, o que deve ser feito alicerçado no mais profundo respeito à vontade alheia; ou se estamos apenas usando uma justificativa mental para dar vazão a um programa sombrio de noss’alma, escondido sob palavras doces e voz afável.