Da arrogância do “perdão”

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Uma das armadilhas do ego é fazer a pessoa sentir-se superior aos demais apenas porque “aprendeu a perdoar”. Todo cuidado é pouco para não se deixar levar pelas teias da vaidade e da arrogância.

O UCEM, logo também todas as obras “satélites” como as chamo, repete à exaustão a ideia do perdão como único caminho possível para a iluminação espiritual. Entretanto, há que se lembrar sempre que o ego adora apropriar-se de tudo que vise desfazê-lo, e com o perdão não poderia ser diferente.

A armadilha egóica reside na tentação de a pessoa começar a se achar de alguma forma superior ao restante da humanidade já que está praticando diariamente o exercício do perdão enquanto a “massa” permanece ignorante por si mesma.

Particularmente, não creio que nenhum estudante ou mestre (ou “mestre”) do UCEM seja realmente capaz de perdoar no sentido mais puro da palavra. O ego sempre dá jeito de a pessoa se convencer de estar a um passo da perfeição, sabotando assim esforços que podem ter sido de uma vida inteira.

Não que o estudante do UCEM não saiba que só o que é permanente existe de verdade. Logo, até mesmo estas palavras que ora escrevo com a melhor das intenções e que serão lidas depois são ilusórias e mentirosas, porque são impermanentes.

Em vez de um falso perdão é melhor cada um de nós dê ao outro ou a uma situação qualquer a única coisa realmente permanente e que nos dá uma conexão real com nossa natureza divina: o amor.

Faz-se mister que tenhamos uma atitude acolhedora para com todas as pessoas e situações. Somente o acolhimento amoroso poderá transmutar qualquer sentimento ou emoção no verdadeiro perdão capaz de nos fazer acordar para a realidade divina de nossa real natureza.

E para poder acolher amorosamente é necessário colocar-se no lugar do outro, compreender como o outro percebe o mundo, entender suas motivações e ter a certeza de que a pessoa própria, caso tivesse passado pelas mesmas experiências provavelmente teria feito as mesmas escolhas.