As “maldições familiares”

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Conheça a história de Beth Thomas, vítima de abusos sexuais desde um ano de idade, e reflita comigo sobre o significado de sua história para um estudante d’UCEM.

Esta semana caiu-me nas mãos um vídeo de um documentário da HBO sobre uma menina (atualmente uma mulher adulta) chamada Beth Thomas. A história é muito forte, e para quem se identifica facilmente com crianças é muito fácil de passar a odiar o seu pai biológico, que segundo o texto infligiu a ela abusos sexuais terríveis, quando ela tinha apenas um ano de idade, e negligenciou totalmente seu irmãozinho de sete meses, após a morte da mãe.

O vídeo está logo ali acima, mas se por algum motivo não estiver aparecendo, ele pode ser visto no YouTube.

Esta história inspirou um longa metragem chamado “A Ira de um Anjo”, que também pode ser encontrado completo e legendado em Português no próprio YouTube.

Meu amigo ao compartilhar o vídeo clamava a morte deste tipo de adulto, incapaz de viver em sociedade. Num primeiro momento eu também senti vontade de provocar muita dor no sujeito, à guisa de vingança pelo que ele fez às duas crianças com quem minha criança interna se identificava e solidarizava, em profundo pânico.

Entretanto, sou um estudante d’UCEM, e mesmo que momentaneamente eu esqueça do que venho estudando, a consciência sempre prevalece, em algum momento, e acabei sendo eu o “advogado do diabo”, lembrando que havia um mecanismo explícito no vídeo: a pequena Beth cometia atrocidades contra seu irmão, e tinha desejo de matar seus pais adotivos, por causa do que lhe acontecera em muito tenra idade, e é bem possível que o mesmo tivesse acontecido com seu pai biológico: se naquele momento ele era um pária, um “lixo” social, quando criança ele deve ter sido uma vítima de abusos físicos e psicológicos inimagináveis.

E sequer estou teorizando sobre vidas passadas!

Abusos físicos e psicológicos são muito mais frequentes do que possam parecer, porque os mecanismos psíquicos fazem com que a criança internalize a agressão e se adapte para “adequar-se” ao que parece ser o desejo do agressor. Por exemplo, como visto no vídeo, Beth adotou uma postura extremamente sexual, totalmente incompatível com sua idade.

É importante que nos conheçamos, e que tenhamos consciência das violações que vitimaram a criança interna de cada um, por um único e essencial motivo: para que possamos escolher conscientemente não perpetuar os atos perniciosos que farão outras pessoas sofrer.

Alguns exemplos de violações que não necessariamente têm cunho sexual:

  • pais que abandonam os lares, criando filhos que também serão pais abandonadores;
  • lares violentos, em que no lugar do diálogo há agressões verbais e físicas, produzirão futuros pais violentos e agressores;
  • ambientes marcados pela mentira e pela falta de confiança produzirão adultos mentirosos e não confiáveis.

Sem querer ser leviano com nenhuma vítima destes ou de qualquer outro tipo de abuso, posso dizer com certeza que o conhecimento que UCEM traz facilita curar-se destas feridas: o perdão pode desfazer estas maldições, bem como qualquer tipo de karma.

Fácil com certeza não é, mas que existe um caminho viável para transcender esta miséria características do ser humano, um estudante d’UCEM não pode negar.