Animais: o espelho da inocência

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Recentemente convidaram-me, no Facebook, a fazer parte de um grupo de bichinhos fofinhos para quem está cansado de política no Feice — ou coisa assim. Claro que aceitei o convite, e ainda bem que eu o fiz: é uma enxurrada de memes, fotos e vídeos engraçados fluindo o dia inteiro, servindo muito bem como distração para o grande circo de horrores diário a que a vida adulta nos força a consumir.

Embora as regras do grupo sejam rígidas e muito claras quanto a postar qualquer conteúdo que não seja bichinhos fofinhos, acabei fazendo algo que talvez nem devesse, não pelas regras do grupo, mas por minha sanidade mental mesmo: acessei alguns dos perfis mais ativos e pude constatar as inclinações políticas de vários membros do grupo que abomina qualquer discurso político.

O que vi não chegou a surpreender: um volume imenso de pessoas que no grupo são uns doces, tolerantes, prestativas, mas que em outros contextos são belicosas, preconceituosas até extremos de racismo e homofobia, apoiadoras incondicionais das políticas de morte e omissão do governo federal brasileiro, etc.

A explicação que vejo para esse tipo de "efeito" causado pelos bichinhos é simples: sua natureza é pura e inocente, logo eles são — ao lado das crianças pequenas — o mais perfeito espelho de inocência que existe.

Quando uma pessoa reconhece, mesmo que inconscientemente, a inocência dos animais, ela está reconhecendo e conectando a própria inocência. E se as pessoas, por mais bolsonaristas que sejam, ficam emocionadas, enternecidas e felizes de ver a inocência fora espelhando a que nunca deixou de estar dentro de si, isso é um sinal de que as pessoas sempre valem a pena.