A origem das “guerras santas”

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O estudo de Um Curso Em Milagres nos dá elementos para entender facilmente as “guerras santas” que assolam o planeta, incluindo as cruzadas das igrejas evangélicas contra religiões afro, ou contra pessoas cujas vidas destoam daquilo que elas acreditam ser “a palavra de Deus”.

A fim explicar melhor o que me parece lógico vou dividir a questão em duas partes: uma ligada à “culpa original” do ego, e outra ao processo de negação e projeção que é inerente às pessoas.

A “culpa original” do ego

O UCEM nos explica que o universo como o percebemos, em toda sua irrealidade, originou-se num instante em que o Filho de Deus, sonhando, acreditou-se separado de seu Pai. Aí surgiu a primeira manifestação de culpa, e essa culpa originou o medo — o medo que o Filho sentia de que a separação com que estava sonhando fosse verdadeira. E a fim de não ter que lidar com a culpa e o medo da ilusória separação o ego surgiu, criando consigo todo o universo, todas as coisas, tudo o que parece existir e cujo único objetivo é reafirmar como real a separação que nunca ocorreu.

Ora, as pessoas carregam em seu inconsciente a memória desta culpa, e para combater o medo consequente elas se apegam a crenças, sejam elas quais forem: religiões, filosofias, ciências, ou combinações diversas de crenças quaisquer.

Esta crença passa a ser, no inconsciente da pessoa, a única “garantia” de que os medos dela não vão se tornar reais.

Então, qualquer um ou qualquer coisa que pareça “ameaçar” a suposta estabilidade desta crença passa a ser, na percepção do crente (seja qual for sua crença) uma ameaça à sua salvação.

O mecanismo de negação e projeção

Simultaneamente ao processo da “culpa original”, estou convencido de que o mecanismo da negação, que leva à projeção, seja a segunda metade da laranja da intolerância.

As pessoas geralmente negam seus defeitos. É natural. Todos querem ser reconhecidos pelo que têm de melhor, e não pelo que causa vergonha, repulsa, culpa.

Mas essas características estão em cada um de nós, e o que é negado tem que ir para algum lugar (a psicologia explica isso).

E então as pessoas passam a projetar seu ódio, seus medos, suas fraquezas, e tudo o que negam em si, no outro.

O UCEM diz, textualmente:

 A percepção é um espelho, não um fato. E o que enxergo é o meu estado mental, refletido fora de mim.

Assim, quando as pessoas responsabilizam as outras por suas escolhas, como se isso fosse crime, é só por causa destes dois processos constantes e inconscientes acontecendo na mente delas.

Ao estudante do UCEM resta, contudo, identificar as oportunidades de perdão, que não são poucas, e ir praticando, do jeito que puder. Um dia, quando alcançar a iluminação, ele verá que tudo isso é só uma grande bobagem.