A agressão do “deu pra entender?”

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Às vezes disfarçamos nossa agressividade em um discurso pseudopassivo (ou passivo agressivo). O que muda é só o nível de consciência que temos disso, pois o fundo é o mesmo, não importa se realmente acreditemos em nossa mentira: a hipocrisia.

Recentemente uma pessoa --- que já não faz mais parte do meu convívio --- postou no Facebook um meme ou coisa parecida que dizia, em outras palavras, que quando ela perguntava para a outra pessoa se "deu pra entender" ela se referia mais à própria insegurança quanto a clareza e capacidade de articulação do que à possível estupidez do interlocutor.

Não importa, para a reflexão que trago aqui, no que a pessoa realmente acha que acredita. O fato é que quando perguntamos ao outro se "deu pra entender" estamos despejando sobre ele toda a responsabilidade por uma comunicação deficiente ou desprovida de clareza, num exercício de impaciência, arrogância e soberba que só demonstram nossa fragilidade com relação ao outro.

Em vez de "deu pra entender", ou um simples "entendeu", podemos nos certificar de que a outra pessoa compreendeu a mensagem sem fugir da nossa própria responsabilidade mediante uma escolha mais consciente e saudável de palavras.

Os exemplos abaixo podem ser bem mais adequados.

  • Consegui explicar?
  • Expliquei ou compliquei mais?
  • Como eu me saí na explicação?
  • Posso tentar explicar de um outro jeito?

 No fim, usar de linguagem tóxica ou agressiva para lidar com as pessoas com quem nos comunicamos não deixa de ser uma forma sutil (ou nem tanto) de abuso de confiança.